Gota tem cura? Novos estudos mostram que a remissão é possível

Se você já teve uma crise de gota, sabe como a dor pode ser intensa — muitas vezes começa de madrugada, no dedão do pé, e parece que cada toque é insuportável. A boa notícia é que pesquisas recentes trazem uma mensagem animadora: com o tratamento certo, a gota pode entrar em remissão duradoura.

O que é a gota, afinal?

A gota é uma doença inflamatória causada pelo acúmulo de cristais de ácido úrico nas articulações. Quando o nível de ácido úrico no sangue fica elevado por muito tempo, esses cristais se depositam e provocam inflamação — daí vêm as crises de dor, inchaço e vermelhidão. Além das articulações, o excesso de ácido úrico pode prejudicar os rins e está associado a problemas cardiovasculares.

Remissão: o que os novos estudos dizem

Um estudo norueguês acompanhou mais de 200 pacientes com gota durante cinco anos (o chamado estudo NOR-Gout). O resultado foi muito positivo: cerca de 59% dos pacientes alcançaram a remissão simplificada — ou seja, ficaram sem crises, sem tofos (aqueles nódulos de ácido úrico) e com os níveis de ácido úrico controlados. Esse resultado veio após um tratamento estruturado, com ajuste cuidadoso da medicação ao longo do primeiro ano.

Outro estudo importante, o GO TEST, publicado em 2026, comparou duas abordagens: tratar com meta definida (o chamado treat-to-target, que busca manter o ácido úrico abaixo de um valor específico) e tratar apenas quando surgem sintomas. O grupo que seguiu metas teve resultados significativamente melhores, com quase 40% atingindo a remissão, contra 24% no grupo que só tratava os sintomas.

O segredo está no acompanhamento

O ponto principal dessas pesquisas é claro: a gota não é apenas uma doença de “crises que vêm e vão”. Ela precisa de acompanhamento contínuo. Medicamentos como o alopurinol e o febuxostat, quando ajustados na dose correta, conseguem reduzir o ácido úrico a níveis seguros em 80 a 90% dos pacientes. Com o tempo, os cristais vão se dissolvendo, os tofos diminuem e as crises param de acontecer.

Mas para isso funcionar, é fundamental não abandonar o tratamento quando as crises param. Muitos pacientes deixam de tomar a medicação quando se sentem bem — e é justamente aí que as crises voltam. A adesão ao tratamento a longo prazo faz toda a diferença.

O que você pode fazer

Além da medicação, hábitos saudáveis ajudam muito: manter o peso adequado, beber bastante água, moderar o consumo de bebidas alcoólicas (especialmente cerveja) e reduzir alimentos ricos em purinas, como carnes vermelhas e frutos do mar em excesso. E, claro, manter o acompanhamento regular com seu reumatologista para monitorar os níveis de ácido úrico.


Este texto é informativo e não substitui a consulta com um reumatologista. Se você tem dúvidas sobre seu tratamento, procure seu médico.

Fontes

  1. Remission in gout is possible: 5-year follow-up in the NOR-Gout study — Seminars in Arthritis and Rheumatism, 2025
  2. GO TEST Overture: treat-to-target vs symptom-driven management — The Lancet Rheumatology, 2026
  3. Long-term remission in gout: Challenges and future opportunities — Rheumatology & Autoimmunity, 2026
  4. Gota — Sociedade Brasileira de Reumatologia
  5. Gout — American College of Rheumatology


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