Dr. Fábio Batistella https://fabiobatistella.com.br Dr. Fábio Batistella Thu, 28 May 2026 14:43:54 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://fabiobatistella.com.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-logo_novo-32x32.png Dr. Fábio Batistella https://fabiobatistella.com.br 32 32 Artrite reumatoide: o que muda com as novas recomendações europeias de 2025 https://fabiobatistella.com.br/2026/05/28/artrite-reumatoide-o-que-muda-com-as-novas-recomendacoes-europeias-de-2025/ https://fabiobatistella.com.br/2026/05/28/artrite-reumatoide-o-que-muda-com-as-novas-recomendacoes-europeias-de-2025/#respond Thu, 28 May 2026 14:43:53 +0000 https://fabiobatistella.com.br/?p=463 Se você convive com artrite reumatoide (AR), provavelmente já ouviu falar que o tratamento precisa começar cedo e ser acompanhado de perto. Essa mensagem ficou ainda mais forte com a atualização que a EULAR — a principal referência europeia em reumatologia — acabou de publicar sobre o manejo da doença. A versão 2025 das recomendações traz ajustes importantes que podem impactar diretamente o seu acompanhamento.

Menos regras, mais clareza

A versão anterior, de 2022, continha 11 recomendações. Agora são 9, porque a EULAR fundiu e simplificou algumas delas. A ideia não é reduzir o cuidado — pelo contrário. O objetivo é tornar as orientações mais práticas para o médico e mais compreensíveis para o paciente. O pilar continua o mesmo: iniciar o tratamento o mais cedo possível após o diagnóstico e buscar a remissão da doença como meta principal.

Tratamento escalonado: passo a passo

O metotrexato segue como primeira escolha, idealmente combinado com corticoides por um período curto. Se houver contraindicação ao metotrexato ou intolerância precoce, a leflunomida ou a sulfassalazina entram como alternativas. Quando a resposta ao primeiro medicamento sintético não é suficiente após 3 a 6 meses, a recomendação é ajustar a estratégia — o que pode incluir trocar ou combinar com outro DMARD sintético convencional antes de partir para um biológico.

Se mesmo assim a meta de controle não for alcançada, aí sim o próximo passo é adicionar um medicamento biológico.

Se o primeiro biológico não funcionar, a orientação é trocar para outro — pode ser de uma classe diferente ou até da mesma classe. Essa flexibilidade é uma boa notícia, porque significa mais opções no arsenal terapêutico.

Remissão não significa parar o tratamento

Uma mudança sutil, mas muito relevante: a nova versão dá preferência à manutenção dos medicamentos mesmo quando o paciente atinge a remissão sustentada. Na versão anterior, a redução de dose era apresentada quase no mesmo patamar que a continuidade. Agora, a mensagem é mais clara — manter o tratamento é a primeira opção; reduzir a dose pode ser considerado, mas parar completamente ainda é arriscado, pois a chance de reativação da doença é real.

O que isso significa para você

Na prática, as novas recomendações reforçam três pontos que costumo repetir no consultório: comece o tratamento sem demora, mantenha consultas regulares a cada 1 a 3 meses enquanto a doença estiver ativa, e não abandone a medicação por conta própria quando se sentir bem. A decisão de ajustar ou reduzir doses deve sempre ser feita junto com o seu reumatologista, com base em exames e avaliação clínica criteriosa.

A ciência avança para que o tratamento da AR fique cada vez mais seguro e eficaz. Se você tem artrite reumatoide, converse com seu médico sobre essas novidades — estar informado é parte fundamental do cuidado com a sua saúde.


Este texto é informativo e não substitui a consulta com um reumatologista. Se você tem dúvidas sobre seu tratamento, procure seu médico.

Fontes

  1. EULAR recommendations for the management of RA with DMARDs: 2025 update — Annals of the Rheumatic Diseases
  2. 2025 Update: EULAR Recommendations on RA Management — RheumNow
  3. EULAR Management of RA with DMARDs Guideline Timeline — Guideline Central
  4. Recommendations Management — EULAR
  5. Sociedade Brasileira de Reumatologia — Artrite reumatoide
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Gota tem cura? Novos estudos mostram que a remissão é possível https://fabiobatistella.com.br/2026/05/25/gota-tem-cura-novos-estudos-mostram-que-a-remissao-e-possivel/ https://fabiobatistella.com.br/2026/05/25/gota-tem-cura-novos-estudos-mostram-que-a-remissao-e-possivel/#respond Mon, 25 May 2026 11:21:50 +0000 https://fabiobatistella.com.br/?p=457 Se você já teve uma crise de gota, sabe como a dor pode ser intensa — muitas vezes começa de madrugada, no dedão do pé, e parece que cada toque é insuportável. A boa notícia é que pesquisas recentes trazem uma mensagem animadora: com o tratamento certo, a gota pode entrar em remissão duradoura.

O que é a gota, afinal?

A gota é uma doença inflamatória causada pelo acúmulo de cristais de ácido úrico nas articulações. Quando o nível de ácido úrico no sangue fica elevado por muito tempo, esses cristais se depositam e provocam inflamação — daí vêm as crises de dor, inchaço e vermelhidão. Além das articulações, o excesso de ácido úrico pode prejudicar os rins e está associado a problemas cardiovasculares.

Remissão: o que os novos estudos dizem

Um estudo norueguês acompanhou mais de 200 pacientes com gota durante cinco anos (o chamado estudo NOR-Gout). O resultado foi muito positivo: cerca de 59% dos pacientes alcançaram a remissão simplificada — ou seja, ficaram sem crises, sem tofos (aqueles nódulos de ácido úrico) e com os níveis de ácido úrico controlados. Esse resultado veio após um tratamento estruturado, com ajuste cuidadoso da medicação ao longo do primeiro ano.

Outro estudo importante, o GO TEST, publicado em 2026, comparou duas abordagens: tratar com meta definida (o chamado treat-to-target, que busca manter o ácido úrico abaixo de um valor específico) e tratar apenas quando surgem sintomas. O grupo que seguiu metas teve resultados significativamente melhores, com quase 40% atingindo a remissão, contra 24% no grupo que só tratava os sintomas.

O segredo está no acompanhamento

O ponto principal dessas pesquisas é claro: a gota não é apenas uma doença de “crises que vêm e vão”. Ela precisa de acompanhamento contínuo. Medicamentos como o alopurinol e o febuxostat, quando ajustados na dose correta, conseguem reduzir o ácido úrico a níveis seguros em 80 a 90% dos pacientes. Com o tempo, os cristais vão se dissolvendo, os tofos diminuem e as crises param de acontecer.

Mas para isso funcionar, é fundamental não abandonar o tratamento quando as crises param. Muitos pacientes deixam de tomar a medicação quando se sentem bem — e é justamente aí que as crises voltam. A adesão ao tratamento a longo prazo faz toda a diferença.

O que você pode fazer

Além da medicação, hábitos saudáveis ajudam muito: manter o peso adequado, beber bastante água, moderar o consumo de bebidas alcoólicas (especialmente cerveja) e reduzir alimentos ricos em purinas, como carnes vermelhas e frutos do mar em excesso. E, claro, manter o acompanhamento regular com seu reumatologista para monitorar os níveis de ácido úrico.


Este texto é informativo e não substitui a consulta com um reumatologista. Se você tem dúvidas sobre seu tratamento, procure seu médico.

Fontes

  1. Remission in gout is possible: 5-year follow-up in the NOR-Gout study — Seminars in Arthritis and Rheumatism, 2025
  2. GO TEST Overture: treat-to-target vs symptom-driven management — The Lancet Rheumatology, 2026
  3. Long-term remission in gout: Challenges and future opportunities — Rheumatology & Autoimmunity, 2026
  4. Gota — Sociedade Brasileira de Reumatologia
  5. Gout — American College of Rheumatology
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Arterite de células gigantes: uma nova opção oral para reduzir o uso de corticoide https://fabiobatistella.com.br/2026/05/21/arterite-de-celulas-gigantes-uma-nova-opcao-oral-para-reduzir-o-uso-de-corticoide/ https://fabiobatistella.com.br/2026/05/21/arterite-de-celulas-gigantes-uma-nova-opcao-oral-para-reduzir-o-uso-de-corticoide/#respond Thu, 21 May 2026 13:51:56 +0000 https://fabiobatistella.com.br/?p=451 Uma dor de cabeça nova depois dos 50 anos, especialmente na lateral (têmpora), pode parecer banal — mas em algumas situações é o aviso de uma doença reumatológica importante chamada arterite de células gigantes, também conhecida como arterite temporal. Trata-se de uma inflamação das artérias que irrigam a cabeça, e o diagnóstico precoce faz toda a diferença: sem tratamento rápido, ela pode causar perda permanente da visão.

A boa notícia é que, em 2025 e 2026, o tratamento dessa doença ganhou um reforço importante. Pela primeira vez, um medicamento oral de uma nova classe — os chamados inibidores da JAK — foi aprovado especificamente para a arterite de células gigantes pela FDA, a agência regulatória dos Estados Unidos. Isso abre caminho para opções além do corticoide e dos remédios injetáveis que vínhamos usando há anos.

Por que essa novidade importa?

Durante décadas, o pilar do tratamento foi a prednisona em doses altas. Ela funciona — controla a inflamação rapidamente — mas o uso prolongado tem custos: ganho de peso, pressão alta, diabetes, perda de massa óssea (osteoporose), catarata e maior risco de infecções. Reduzir o corticoide com segurança é um dos maiores desafios para pacientes e reumatologistas.

O estudo SELECT-GCA, com 428 pacientes acima de 50 anos com a doença recém-diagnosticada ou em recaída, avaliou justamente isso. Quem recebeu o novo remédio oral, combinado com a redução gradual do corticoide, manteve a doença em remissão por um ano em quase 47% dos casos — contra 29% no grupo que recebeu apenas o corticoide. Em outras palavras: foi possível dispensar o corticoide mais cedo e com menor risco de recaída.

Quando suspeitar de arterite de células gigantes?

A doença acomete principalmente pessoas acima dos 50 anos. Procure um reumatologista quando aparecerem sintomas como:

  • dor de cabeça nova ou diferente, geralmente na lateral (têmpora);
  • sensibilidade no couro cabeludo (dor ao pentear o cabelo ou apoiar a cabeça no travesseiro);
  • dor na mandíbula ao mastigar alimentos mais firmes;
  • alterações visuais — visão embaçada, vista dupla ou perda parcial da visão;
  • cansaço importante, febre baixa ou perda de peso sem causa aparente.

Em pacientes que já têm polimialgia reumática (uma doença “prima” da arterite, que causa dor e rigidez nos ombros e quadris), o risco de desenvolver arterite de células gigantes é maior — e qualquer um desses sintomas merece avaliação rápida.

O que isso significa para você

Não é hora de mudar nada por conta própria. O novo remédio ainda está sendo incorporado às diretrizes internacionais e à prática brasileira, e a indicação depende do perfil de cada paciente. O recado é outro: o cardápio de tratamentos para a arterite de células gigantes está crescendo, com opções que ajudam a reduzir o corticoide mais cedo, controlam melhor a inflamação e protegem a visão.

Se você ou alguém da família apresenta uma dor de cabeça nova depois dos 50 anos, especialmente com dor ao mastigar ou qualquer alteração visual, procure rapidamente um reumatologista. Quanto mais cedo o tratamento começa, melhor o desfecho.


Este texto é informativo e não substitui a consulta com um reumatologista. Se você tem dúvidas sobre seu tratamento, procure seu médico.

Fontes

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Exercício na fibromialgia: por que dói no começo e por que insistir vale a pena https://fabiobatistella.com.br/2026/05/18/exercicio-na-fibromialgia-por-que-doi-no-comeco-e-por-que-insistir-vale-a-pena/ https://fabiobatistella.com.br/2026/05/18/exercicio-na-fibromialgia-por-que-doi-no-comeco-e-por-que-insistir-vale-a-pena/#respond Mon, 18 May 2026 22:26:44 +0000 https://fabiobatistella.com.br/?p=448 Exercício na fibromialgia: por que dói no começo e por que insistir vale a pena

Se você tem fibromialgia, provavelmente já ouviu uma frase parecida com esta: “você precisa se exercitar”. E provavelmente também já tentou — caminhou um pouco, fez uma aula de hidroginástica, voltou para a academia depois de anos. Aí veio aquela piora dos primeiros dias, com o corpo todo doendo, e a sensação de que aquilo não era para você. Esse é um dos paradoxos mais conhecidos da fibromialgia: o movimento que dói no início é, justamente, um dos tratamentos com mais evidência científica. E as pesquisas mais recentes, de 2025 e 2026, ajudam a entender por que insistir vale tanto a pena.

Por que o exercício ajuda mesmo quando dói no começo?

A fibromialgia não é uma doença das articulações ou dos músculos em si. É uma alteração na forma como o sistema nervoso processa a dor: estímulos comuns passam a ser sentidos como dor intensa. O exercício atua justamente nesse ponto — ele reorganiza, com o tempo, esse “volume” aumentado da dor. Estudos publicados nos últimos dois anos mostram que o exercício aeróbico melhora a função dos vasos sanguíneos e reduz a inflamação de baixo grau no organismo, enquanto exercícios “mente-corpo”, como tai chi e ioga, atuam principalmente nos circuitos cerebrais que regulam dor, sono e humor. São caminhos diferentes para o mesmo destino: silenciar o ruído da dor crônica.

Qual tipo de exercício é o melhor?

Uma metanálise em rede publicada em 2026, que reuniu dezenas de estudos clínicos comparando aeróbico, treino de força e exercícios mente-corpo (tai chi e ioga), trouxe uma resposta que vai surpreender muita gente: as três modalidades funcionam. As recomendações europeias (EULAR) confirmam que o exercício é a única terapia com recomendação “forte a favor” no tratamento da fibromialgia. As evidências mais sólidas continuam sendo para o aeróbico combinado com algum trabalho de força, mas tai chi e ioga vêm ganhando espaço, especialmente para quem tem muita rigidez, ansiedade ou sono ruim.

Como começar sem desistir nas primeiras semanas

A regra de ouro é simples: comece menos do que você acha que aguenta. Dez minutos de caminhada três vezes por semana já contam. A intensidade deve permitir conversar enquanto se move. Aumente o volume aos poucos, idealmente entre 10% e 20% por semana. É comum sentir mais dor nas duas a quatro primeiras semanas — isso não significa piora da doença, e sim adaptação do corpo. A partir do segundo mês, a maior parte dos pacientes percebe o ganho. Combinar dois tipos de exercício na semana (por exemplo, caminhada em um dia e ioga em outro) pode trazer resultados melhores do que se ater a uma só modalidade.

O acompanhamento faz diferença

Exercício na fibromialgia funciona melhor quando é supervisionado pelo menos no começo — seja com fisioterapeuta, educador físico ou em grupos específicos para a doença. O profissional ajuda a calibrar a carga, evitar lesões e, sobretudo, manter a motivação nos momentos difíceis. Para quem não consegue acesso à supervisão, vale combinar com o reumatologista um plano realista e checar a progressão a cada consulta.

O recado mais importante

A dor da fibromialgia é real, e o cansaço também. Justamente por isso, o exercício precisa ser tratado como um tratamento — algo que se prescreve, se ajusta e se acompanha, e não simplesmente como um “conselho”. Pequenas doses, mantidas com regularidade, costumam ser mais eficazes do que tentativas heroicas que terminam em desistência. Se a sua última experiência com exercício foi frustrante, talvez seja hora de tentar de novo, com um plano feito sob medida para você.


Este texto é informativo e não substitui a consulta com um reumatologista. Se você tem dúvidas sobre seu tratamento, procure seu médico.

Fontes

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Síndrome de Sjögren: pela primeira vez, um remédio mira a causa da doença https://fabiobatistella.com.br/2026/05/14/sindrome-de-sjogren-pela-primeira-vez-um-remedio-mira-a-causa-da-doenca/ https://fabiobatistella.com.br/2026/05/14/sindrome-de-sjogren-pela-primeira-vez-um-remedio-mira-a-causa-da-doenca/#respond Thu, 14 May 2026 16:46:40 +0000 https://fabiobatistella.com.br/?p=444 Quem convive com a síndrome de Sjögren sabe a rotina: boca seca a ponto de dificultar a fala, olhos que ardem mesmo usando colírio o dia todo e um cansaço que não passa nem depois de uma noite bem dormida. Por décadas, o tratamento se limitou a aliviar esses sintomas — não havia nenhum remédio aprovado capaz de frear a doença em si. Esse cenário começou a mudar em 2026, e a notícia vale uma conversa.

Afinal, o que é mesmo a síndrome de Sjögren?

A síndrome (ou doença) de Sjögren é autoimune: o sistema de defesa do corpo, em vez de combater vírus e bactérias, passa a atacar tecidos saudáveis. As principais vítimas são as glândulas que produzem saliva e lágrima, e por isso os sintomas mais conhecidos são a secura na boca e nos olhos. Mas a doença pode ir além: também atinge articulações, pulmões, rins, sistema nervoso e, mais raramente, o sangue. Atinge muito mais mulheres do que homens, em geral a partir dos 40 anos, e segue sendo subdiagnosticada — muitos pacientes passam anos ouvindo que “é coisa da idade” antes de receber o diagnóstico correto.

Por que o tratamento sempre foi frustrante?

Quem já passou por consulta conhece a receita habitual: lágrimas artificiais, gomas de mascar sem açúcar, hidratantes bucais, analgésicos para a dor nas juntas e, em casos mais graves, imunossupressores e antimaláricos. Tudo isso ajuda — mas é um pouco como enxugar gelo. Nenhum desses tratamentos foi desenhado especificamente para a Sjögren; são adaptações de medicamentos pensados para outras doenças. Faltava um remédio que mirasse o mecanismo da própria Sjögren.

A novidade: ianalumabe e os estudos NEPTUNUS

Um anticorpo monoclonal chamado ianalumabe acaba de mostrar, em dois grandes estudos clínicos internacionais (chamados NEPTUNUS-1 e NEPTUNUS-2), que é capaz de reduzir de forma significativa a atividade da doença. Ele age bloqueando um receptor das células B — células de defesa que estão por trás do ataque autoimune na Sjögren. Mais de 700 pacientes participaram. O remédio, aplicado por via subcutânea uma vez por mês, melhorou tanto o escore médico que avalia a atividade da doença (chamado ESSDAI) quanto a percepção dos próprios pacientes sobre como estavam se sentindo. Os efeitos colaterais foram parecidos com os do placebo.

A repercussão foi tão grande que a FDA, agência reguladora dos Estados Unidos, concedeu ao ianalumabe a designação de Terapia Inovadora (em inglês, Breakthrough Therapy). Na prática, isso significa que o processo de avaliação será acelerado. A fabricante anunciou que pretende submeter o pedido de registro em vários países ao longo de 2026.

E o que isso muda na vida real?

O remédio ainda não está disponível nas farmácias, e o caminho regulatório no Brasil costuma levar tempo até chegar pela Anvisa e, mais tarde, a estudos de incorporação no SUS e nos convênios. Mesmo assim, a notícia importa porque inaugura uma nova era no tratamento da Sjögren: pela primeira vez, em vez de simplesmente abafar sintomas, temos um medicamento desenhado para enfrentar o mecanismo da doença. Para quem convive com a Sjögren e seus familiares, é uma esperança concreta no horizonte próximo — e um lembrete de que vale a pena manter o acompanhamento regular com o reumatologista para estar entre os primeiros a se beneficiar quando o medicamento chegar.

Este texto é informativo e não substitui a consulta com um reumatologista. Se você tem dúvidas sobre seu tratamento, procure seu médico.

Fontes

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Polimialgia reumática: o que aquela dor matinal nos ombros e quadril depois dos 50 anos está te dizendo https://fabiobatistella.com.br/2026/05/11/polimialgia-reumatica-o-que-aquela-dor-matinal-nos-ombros-e-quadril-depois-dos-50-anos-esta-te-dizendo/ https://fabiobatistella.com.br/2026/05/11/polimialgia-reumatica-o-que-aquela-dor-matinal-nos-ombros-e-quadril-depois-dos-50-anos-esta-te-dizendo/#respond Mon, 11 May 2026 12:33:05 +0000 https://fabiobatistella.com.br/?p=442

Imagine acordar de manhã com dor forte nos ombros, pescoço e quadril. A rigidez é tanta que vestir uma camisa ou levantar da cama vira um desafio. Para muitos adultos acima dos 50 anos, isso não é apenas resultado de uma noite mal dormida — pode ser o sinal de uma condição reumatológica chamada polimialgia reumática. E, em 2025, ela está no centro de uma atualização importante.

O que é a polimialgia reumática

A polimialgia reumática é uma doença inflamatória que costuma surgir após os 50 anos e é mais comum em mulheres. Ela provoca dor e rigidez nos ombros, pescoço e quadris, especialmente pela manhã. Muitas vezes, vem acompanhada de cansaço, perda de apetite e até febre baixa. A causa exata ainda é estudada, mas envolve um processo inflamatório que afeta os tecidos ao redor das grandes articulações.

Como o reumatologista chega ao diagnóstico

Não existe um único exame que confirma a doença. O reumatologista monta o quebra-cabeça olhando para os sintomas típicos, a idade do paciente e exames de sangue que mostram inflamação, como a velocidade de hemossedimentação (VHS) e a proteína C reativa (PCR). Por isso, é importante não se autodiagnosticar: sintomas parecidos podem aparecer em tendinites, lesões por uso repetitivo ou até infecções.

O tratamento clássico — e por que ele exige cuidado

Há décadas, o pilar do tratamento é o corticoide em dose baixa, como a prednisona. A resposta costuma ser tão rápida e clara que o paciente sente o “antes e depois” em poucos dias. O porém é o tempo: o tratamento muitas vezes se estende por mais de dois anos, e o uso prolongado de corticoide tem efeitos colaterais conhecidos — ganho de peso, osteoporose, aumento da pressão e do açúcar no sangue. Por isso, sempre se buscou uma forma de reduzir essa exposição.

O que está mudando em 2025

A boa notícia é que a comunidade reumatológica internacional está atualizando suas recomendações. Pela primeira vez, existe um medicamento biológico aprovado especificamente para pacientes que não respondem bem ao corticoide ou que não conseguem reduzi-lo sem ter recaída. Ele age bloqueando a interleucina-6, uma das substâncias que alimentam a inflamação. Estudos recentes mostraram que essa opção ajuda a controlar a doença com uma exposição menor ao corticoide ao longo do ano. Outras classes — como inibidores de JAK e inibidores de IL-17 — também estão sendo estudadas e devem aparecer nas próximas diretrizes da EULAR.

O que isso significa para você

Se você tem mais de 50 anos e sente dor e rigidez persistente nos ombros, pescoço ou quadril, não atribua tudo ao envelhecimento. Procure um reumatologista. Quanto mais cedo a polimialgia é identificada, mais rápido vem o alívio e menor é o risco de complicações pelo tratamento prolongado. E, com as novas opções terapêuticas chegando, o caminho está se tornando mais seguro e personalizado.


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Fontes

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Fibromialgia: por que o tratamento precisa ir além do remédio https://fabiobatistella.com.br/2026/05/07/fibromialgia-por-que-o-tratamento-precisa-ir-alem-do-remedio/ https://fabiobatistella.com.br/2026/05/07/fibromialgia-por-que-o-tratamento-precisa-ir-alem-do-remedio/#respond Thu, 07 May 2026 13:33:44 +0000 https://fabiobatistella.com.br/?p=437 Fibromialgia: por que o tratamento precisa ir além do remédio

Se você convive com fibromialgia, já deve ter ouvido que “não existe um remédio único que resolva tudo”. E isso é verdade — mas longe de ser uma má notícia. As principais sociedades de reumatologia do mundo, como a EULAR, o ACR e a Sociedade Brasileira de Reumatologia, concordam em um ponto: o melhor caminho para controlar a fibromialgia é o tratamento multimodal, ou seja, combinar diferentes estratégias ao mesmo tempo. Vamos entender o que isso significa na prática.

O que é tratamento multimodal?

“Multimodal” quer dizer usar várias frentes de cuidado juntas: exercício físico, acompanhamento psicológico, educação sobre a doença, ajustes no sono e, quando necessário, medicamentos. A ideia é que cada uma dessas peças cuida de um aspecto diferente da fibromialgia — dor, fadiga, sono, humor — e juntas elas fazem mais do que qualquer uma faria sozinha.

Exercício físico: o pilar número um

Pode parecer contraditório pedir para alguém com dor generalizada se exercitar, mas a ciência é clara: o exercício físico regular é a única intervenção que recebeu recomendação forte de todas as diretrizes internacionais. Atividades como caminhada, natação, hidroterapia, yoga e tai chi ajudam a elevar substâncias naturais do corpo que combatem a dor, além de melhorar o sono, o humor e a disposição. O segredo é começar devagar e ir aumentando aos poucos, respeitando o seu ritmo.

Cuidar da mente também é tratar a dor

A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é outra peça-chave. Ela ajuda o paciente a entender como pensamentos e comportamentos influenciam a percepção da dor e a desenvolver estratégias para lidar com as crises. Ansiedade e depressão são companheiras frequentes da fibromialgia, e tratá-las faz diferença direta na qualidade de vida.

E os medicamentos?

Medicamentos têm sim o seu papel, especialmente quando há dor intensa, insônia ou alterações de humor importantes. Existem opções aprovadas que atuam no sistema nervoso central, ajudando a regular a forma como o cérebro processa a dor. Mas as diretrizes são unânimes: o medicamento funciona melhor quando combinado com as medidas não farmacológicas. Ele é um aliado, não o protagonista.

O que você pode fazer hoje

Converse com seu reumatologista sobre montar um plano que combine exercício, suporte psicológico e, se necessário, medicação. A fibromialgia é uma condição crônica, mas com a abordagem certa é possível ter qualidade de vida e retomar atividades que pareciam impossíveis. O tratamento multimodal não é sobre fazer tudo ao mesmo tempo — é sobre encontrar a combinação que funciona para você.


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Ozempic e os joelhos: o que a ciência vem mostrando sobre os GLP-1 na artrose https://fabiobatistella.com.br/2026/05/04/ozempic-e-os-joelhos-o-que-a-ciencia-vem-mostrando-sobre-os-glp-1-na-artrose/ https://fabiobatistella.com.br/2026/05/04/ozempic-e-os-joelhos-o-que-a-ciencia-vem-mostrando-sobre-os-glp-1-na-artrose/#comments Mon, 04 May 2026 13:10:11 +0000 https://fabiobatistella.com.br/?p=433 Você provavelmente já ouviu falar do Ozempic, do Mounjaro ou da Wegovy — medicamentos da família dos chamados GLP-1, conhecidos pelo controle do diabetes e pela perda de peso. O que poucas pessoas sabem é que esses remédios entraram no radar da reumatologia. Estudos recentes apontam que eles podem ajudar pacientes com artrose de joelho, uma das doenças mais comuns nos consultórios de quem cuida das articulações.

Por que isso interessa a quem tem artrose

A artrose do joelho — também chamada de osteoartrite — é uma das principais causas de dor crônica e perda de mobilidade no Brasil e no mundo. O excesso de peso é um dos maiores fatores de risco, porque sobrecarrega a articulação e também alimenta um processo inflamatório de baixa intensidade que vai desgastando a cartilagem. Por isso, perder peso sempre fez parte do tratamento. A novidade é que os GLP-1 parecem oferecer um caminho mais consistente para esse emagrecimento e, talvez, algo a mais.

O que dizem os estudos recentes

Em um grande estudo internacional chamado STEP 9, publicado no New England Journal of Medicine, pacientes obesos com artrose moderada de joelho receberam semaglutida (a substância do Ozempic e da Wegovy) por 68 semanas. Eles perderam, em média, cerca de 14% do peso corporal e relataram redução significativa da dor, além de melhora da função física, em comparação com quem recebeu placebo.

Em 2026, um trabalho publicado na revista Cell Metabolism foi além: em modelos experimentais, a semaglutida mostrou um efeito direto de proteção da cartilagem, independente da perda de peso. Em outras palavras, parte do benefício pode vir de um mecanismo próprio do remédio, agindo na inflamação e no metabolismo das células da cartilagem. É uma pista promissora, ainda em investigação.

O que isso muda na prática (e o que ainda não muda)

É importante deixar claro: nenhuma sociedade de reumatologia recomenda hoje o uso dos GLP-1 como tratamento específico da artrose. Eles ainda são, oficialmente, medicamentos para diabetes e obesidade. O que vem mudando é a percepção: para quem convive com artrose de joelho e tem sobrepeso ou obesidade, controlar o peso com apoio adequado pode aliviar bastante a dor — e os GLP-1 são uma ferramenta a mais, quando indicados pelo médico.

Esses medicamentos não substituem fisioterapia, fortalecimento muscular, atividade física orientada ou, em alguns casos, o tratamento medicamentoso e a infiltração. E têm efeitos colaterais (principalmente intestinais) que precisam ser acompanhados. A decisão deve ser individual, conversada com o reumatologista e, quando necessário, com o endocrinologista.

Em resumo

A boa notícia é que a ciência está olhando para a artrose com olhos novos. Já passou da hora de tratar a doença como “coisa da idade”. Hoje sabemos que peso, inflamação e metabolismo conversam entre si dentro da articulação — e remédios que mexem nesse conjunto, como os GLP-1, podem se tornar aliados importantes nos próximos anos. Vale acompanhar.


Este texto é informativo e não substitui a consulta com um reumatologista. Se você tem dúvidas sobre seu tratamento, procure seu médico.

Fontes

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Artrite psoriásica e risco cardiovascular: por que controlar a inflamação protege o seu coração https://fabiobatistella.com.br/2026/04/30/artrite-psoriasica-e-risco-cardiovascular-por-que-controlar-a-inflamacao-protege-o-seu-coracao/ https://fabiobatistella.com.br/2026/04/30/artrite-psoriasica-e-risco-cardiovascular-por-que-controlar-a-inflamacao-protege-o-seu-coracao/#respond Thu, 30 Apr 2026 13:17:30 +0000 https://fabiobatistella.com.br/?p=429 Quando se fala em artrite psoriásica, a maioria das pessoas pensa imediatamente nas articulações inchadas e doloridas, ou nas placas de pele que muitas vezes acompanham a doença. Mas há um capítulo dessa história que precisa de mais atenção: a artrite psoriásica também aumenta o risco de problemas no coração e nos vasos sanguíneos. Não é motivo para alarme, e sim para cuidado. Quanto mais cedo entendemos essa relação, mais podemos fazer para proteger a saúde a longo prazo.

A inflamação não fica só nas articulações

A artrite psoriásica é uma doença inflamatória crônica. Isso significa que, mesmo quando você não está sentindo dor, pode haver inflamação circulando pelo corpo em níveis baixos, mas constantes. Essa inflamação não fica restrita às articulações ou à pele: ela age também nas paredes das artérias, favorecendo a formação de placas de gordura (a famosa aterosclerose). Com o tempo, esse processo pode aumentar a chance de eventos sérios, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

Estudos recentes mostram que pessoas com artrite psoriásica têm cerca de duas vezes mais risco cardiovascular do que pessoas da mesma idade e sexo sem a doença. Para piorar o quadro, a artrite psoriásica costuma vir acompanhada de outros fatores de risco, como obesidade, hipertensão, colesterol alto, resistência à insulina e diabetes.

O que as sociedades médicas recomendam

As principais sociedades de reumatologia do mundo, como a EULAR (Europa), a ACR (Estados Unidos), a BSR (Reino Unido) e a Sociedade Brasileira de Reumatologia, são unânimes: avaliar e tratar o risco cardiovascular faz parte do cuidado da artrite psoriásica. Isso significa medir pressão arterial e colesterol regularmente, monitorar o peso e a glicemia, perguntar sobre tabagismo e atividade física, e — quando necessário — encaminhar ao cardiologista ou clínico geral.

Controlar a doença é cuidar do coração

A boa notícia é que tratar bem a artrite psoriásica não só melhora as articulações e a pele: também ajuda o sistema cardiovascular. Pesquisas mostram que medicamentos imunobiológicos, como os anti-TNF, reduzem o risco de eventos cardiovasculares maiores justamente por desligarem essa inflamação silenciosa. Ou seja, o remédio que combate a artrite também protege as artérias.

Por isso o acompanhamento regular com o reumatologista é fundamental: ele ajuda a manter a doença sob controle, ajusta o tratamento quando necessário e fica de olho nesses fatores de risco que muitas vezes passam despercebidos no dia a dia.

O que você pode fazer hoje

Pequenas mudanças fazem diferença: manter um peso saudável, praticar atividade física regular, alimentar-se de forma equilibrada, evitar o cigarro e moderar o álcool. Tomar os medicamentos certinho, comparecer às consultas e fazer os exames pedidos também são parte do cuidado. Cuidar da artrite psoriásica é, no fundo, cuidar de você por inteiro — articulações, pele e coração.


Este texto é informativo e não substitui a consulta com um reumatologista. Se você tem dúvidas sobre seu tratamento, procure seu médico.

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Por que algumas pessoas com artrite reumatoide não respondem bem ao tratamento? https://fabiobatistella.com.br/2026/04/29/por-que-algumas-pessoas-com-artrite-reumatoide-nao-respondem-bem-ao-tratamento/ https://fabiobatistella.com.br/2026/04/29/por-que-algumas-pessoas-com-artrite-reumatoide-nao-respondem-bem-ao-tratamento/#respond Wed, 29 Apr 2026 21:25:35 +0000 https://fabiobatistella.com.br/?p=423 Você toma os remédios certinho, vai às consultas, segue o tratamento — e mesmo assim a artrite reumatoide ainda incomoda? Calma: você não está sozinho. Um estudo publicado em 2026 mostrou que cerca de 1 em cada 8 pessoas com artrite reumatoide no mundo enfrenta uma forma chamada “difícil de tratar”. E a notícia boa é que existem coisas que dependem mais de você do que se imagina.

Não é só sobre remédio

Por muito tempo, achou-se que controlar a artrite era apenas escolher o medicamento certo. Hoje sabemos que outros fatores pesam — e às vezes pesam tanto quanto o remédio. As maiores sociedades de reumatologia do mundo (EULAR, ACR, SBR e BSR) vêm reforçando isso: tratar a artrite é cuidar da pessoa inteira, não só da articulação.

Quatro vilões silenciosos

Pesquisas recentes apontaram quatro fatores que mais atrapalham o tratamento, e todos podem ser trabalhados:

Cigarro. Fumar reduz a resposta a praticamente todos os medicamentos da artrite. Parar de fumar é, provavelmente, a atitude mais barata e mais eficaz para melhorar o controle da doença.

Peso em excesso. A gordura corporal, em quantidade elevada, produz substâncias inflamatórias que “competem” com o efeito do remédio. Mesmo perder de 5% a 10% do peso já melhora os resultados.

Fibromialgia associada. Cerca de 1 em cada 5 pessoas com artrite também tem fibromialgia. A dor da fibromialgia se mistura com a dor da artrite e dá a impressão de que nada está funcionando. Identificar e tratar as duas coisas separadamente faz toda a diferença.

Saúde emocional. Ansiedade, depressão e sono ruim aumentam a percepção da dor e atrapalham o tratamento. Cuidar da cabeça também é cuidar da artrite.

O que fazer, então?

Se você sente que o tratamento não está rendendo o esperado, não desanime — e não pare os remédios por conta própria. Marque uma consulta e converse abertamente com seu reumatologista. Existem várias estratégias: trocar a classe do medicamento, combinar tratamentos, investigar uma fibromialgia, encaminhar para nutricionista, fisioterapia ou psicólogo. Cada caso é único.

A artrite reumatoide “difícil de tratar” não é um beco sem saída. É um sinal de que vale revisar o caso com calma e olhar para a pessoa por inteiro — não só para os exames. Com a abordagem certa, o controle volta a ser possível.


Este texto é informativo e não substitui a consulta com um reumatologista. Se você tem artrite e dúvidas sobre seu tratamento, procure seu médico.

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