Dr. Fábio Batistella https://fabiobatistella.com.br Dr. Fábio Batistella Mon, 20 Jul 2026 16:47:20 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0.2 https://fabiobatistella.com.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-logo_novo-32x32.png Dr. Fábio Batistella https://fabiobatistella.com.br 32 32 Neuralgia pós-herpética: a dor que fica depois do herpes-zóster — e como os pacientes reumatológicos podem se proteger https://fabiobatistella.com.br/2026/07/20/neuralgia-pos-herpetica-a-dor-que-fica-depois-do-herpes-zoster-e-como-os-pacientes-reumatologicos-podem-se-proteger/ https://fabiobatistella.com.br/2026/07/20/neuralgia-pos-herpetica-a-dor-que-fica-depois-do-herpes-zoster-e-como-os-pacientes-reumatologicos-podem-se-proteger/#respond Mon, 20 Jul 2026 16:47:19 +0000 https://fabiobatistella.com.br/?p=539 Você já ouviu falar em herpes-zóster? É a doença popularmente conhecida como “cobreiro” — aquelas bolhas dolorosas que aparecem geralmente em um lado do corpo, acompanhadas de queimação intensa. O que muita gente não sabe é que, para alguns pacientes, a dor não vai embora quando as bolhas somem. Ela persiste por meses — às vezes anos. Isso se chama neuralgia pós-herpética, e é mais comum do que se imagina, especialmente entre pessoas que usam medicamentos para doenças reumatológicas.

O que é a neuralgia pós-herpética?

O herpes-zóster é causado pela reativação do vírus da catapora (varicela-zóster), que fica “adormecido” no sistema nervoso após a infecção na infância. Com o passar dos anos — ou em situações de baixa imunidade —, o vírus pode despertar e provocar o “cobreiro”.

Na maioria dos casos, as lesões de pele cicatrizam em 2 a 4 semanas. Mas em cerca de 10 a 15% dos pacientes, a dor continua por mais de três meses após a cicatrização — essa é a neuralgia pós-herpética. A dor costuma ser intensa, com sensação de queimação, choque elétrico ou hipersensibilidade ao toque (até o contato da roupa pode ser insuportável). Ela pode comprometer seriamente o sono, o humor e a qualidade de vida.

Por que pacientes reumatológicos têm mais risco?

Pacientes com artrite reumatoide, lúpus, espondilite anquilosante e outras doenças autoimunes têm um risco até 2 a 3 vezes maior de desenvolver herpes-zóster do que a população geral. E o uso de certos medicamentos — especialmente os inibidores de JAK (como baricitinibe, tofacitinibe e upadacitinibe) — aumenta ainda mais esse risco. Estudos recentes mostram que a incidência de herpes-zóster em pacientes com artrite reumatoide em uso de inibidores de JAK pode chegar a 11 casos por 100 pessoas por ano em algumas populações, um número bastante expressivo.

Isso não significa que é preciso ter medo desses medicamentos — que são eficazes e muitas vezes indispensáveis. Significa que é importante conversar com o reumatologista sobre prevenção.

Como tratar a neuralgia pós-herpética?

O tratamento da neuralgia pós-herpética é focado no controle da dor e pode combinar diferentes abordagens. Os medicamentos de primeira linha incluem anticonvulsivantes como gabapentina e pregabalina, e antidepressivos tricíclicos como amitriptilina — que, nesse caso, são usados pela sua ação analgésica, não para tratar depressão. Também são opções eficazes os adesivos de lidocaína a 5% (aplicados diretamente na pele dolorida) e a capsaicina em alta concentração. Em casos mais intensos, o médico pode recorrer a outras estratégias, incluindo procedimentos intervencionistas. O diagnóstico precoce do herpes-zóster e o uso de antivirais nas primeiras 72 horas da erupção são a melhor forma de reduzir a chance de desenvolver a neuralgia.

A prevenção: a vacina que todo paciente imunossuprimido deveria conhecer

A boa notícia é que existe uma vacina muito eficaz contra o herpes-zóster: a Shingrix, uma vacina inativada recombinante — ou seja, sem vírus vivo, o que a torna segura para pessoas imunossuprimidas. O Colégio Americano de Reumatologia (ACR) recomenda a vacinação com Shingrix para todos os pacientes com doenças reumatológicas em uso de imunossupressores a partir dos 18 anos de idade. Dados de mundo real publicados em 2025 na revista Arthritis Research & Therapy confirmam a eficácia da vacina nessa população e mostram que ela também reduz o risco de complicações cardiovasculares associadas ao herpes-zóster.

Apesar da recomendação clara, estudos mostram que menos de 25% dos pacientes elegíveis receberam a vacina. Se você usa imunossupressores e ainda não conversou com o seu reumatologista sobre a Shingrix, este é o momento.

Quando falar com o seu médico?

Procure seu reumatologista se: sentir dor intensa ou queimação em uma faixa do corpo (mesmo sem bolhas); notar lesões de pele avermelhadas com bolhinhas em um lado do tórax, rosto ou membros; ou se ainda não tomou a vacina contra herpes-zóster e usa medicamentos que reduzem a imunidade. A prevenção é sempre o melhor caminho — e, nesse caso, ela tem nome, dose e eficácia comprovada.


⚠️ Este texto é informativo e não substitui a consulta com um reumatologista. Se você tem dúvidas sobre seu tratamento, procure seu médico.

Fontes

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Depressão e dor crônica: por que as duas andam juntas — e o que muda quando você trata as duas ao mesmo tempo https://fabiobatistella.com.br/2026/07/16/depressao-e-dor-cronica-por-que-as-duas-andam-juntas-e-o-que-muda-quando-voce-trata-as-duas-ao-mesmo-tempo/ https://fabiobatistella.com.br/2026/07/16/depressao-e-dor-cronica-por-que-as-duas-andam-juntas-e-o-que-muda-quando-voce-trata-as-duas-ao-mesmo-tempo/#respond Thu, 16 Jul 2026 14:43:42 +0000 https://fabiobatistella.com.br/?p=533 “A dor está me deixando deprimida, ou é a depressão que está piorando a minha dor?” Essa é uma das perguntas mais frequentes — e mais importantes — de quem vive com dor crônica. A resposta da ciência é: as duas coisas ao mesmo tempo. E entender isso muda completamente a forma de tratar.

Uma relação que vai nos dois sentidos

Dor crônica e depressão têm uma relação bidirecional: quem tem dor persistente tem risco significativamente maior de desenvolver depressão — e quem tem depressão sente mais dor, com mais intensidade. Não é exagero, não é fraqueza e não é “coisa da cabeça”. É neurobiologia.

Estudos mostram que entre 30% e 80% das pessoas com dor crônica apresentam sintomas depressivos em algum momento — uma sobreposição enorme que não pode ser ignorada no tratamento. Mais do que coincidência, as duas condições compartilham os mesmos circuitos no cérebro.

O que acontece no cérebro

Pesquisas recentes em neurociência identificaram que dor crônica e depressão afetam as mesmas regiões cerebrais — especialmente o córtex pré-frontal, o cíngulo anterior e o sistema límbico, que regulam tanto a percepção da dor quanto o humor e as emoções.

No nível químico, tanto a dor crônica quanto a depressão envolvem desequilíbrio de serotonina e noradrenalina — os mesmos neurotransmissores. Por isso, medicamentos que atuam nessa via (como duloxetina) funcionam para as duas condições ao mesmo tempo. Não é coincidência: é mecanismo compartilhado.

Existe ainda o fenômeno da sensibilização central — quando o sistema nervoso “liga o volume” da dor muito alto. A depressão intensifica esse processo, tornando os estímulos dolorosos ainda mais amplificados. O resultado é um ciclo: mais dor gera mais sofrimento emocional, que gera mais dor.

Por que tratar só a dor não é suficiente

Quando a dimensão emocional é ignorada, o tratamento da dor fica incompleto. Um paciente que usa medicamentos para dor mas carrega uma depressão não tratada tende a responder menos ao tratamento, faltar mais às consultas, abandonar o exercício e sentir que “nada funciona”.

Isso não é falta de esforço — é fisiologia. A depressão reduz a motivação, prejudica o sono, amplifica a percepção de dor e compromete a adesão a qualquer plano terapêutico. Tratar as duas ao mesmo tempo não é opcional: é o que as evidências recomendam.

O que muda com o tratamento integrado

Quando dor e humor são abordados juntos — com medicação adequada, psicoterapia (especialmente TCC e ACT), exercício físico progressivo e educação em saúde — os resultados são melhores em todos os aspectos: menos dor, mais energia, melhor sono e qualidade de vida.

O exercício merece destaque especial: é uma das intervenções com mais evidência para os dois problemas. Mesmo em doses pequenas — começando com 10 a 15 minutos de caminhada leve, duas vezes por semana — já é possível observar melhora no humor e na percepção da dor em poucas semanas.

A psicoterapia, por sua vez, não “cura a dor pela mente” — ela ensina estratégias concretas para lidar com o impacto emocional da dor, reduzir a catastrofização (a tendência de enxergar a dor como insuportável e sem saída) e recuperar a autonomia sobre a própria vida.


Este texto é informativo e não substitui a consulta com um reumatologista. Se você tem dúvidas sobre seu tratamento, procure seu médico.

Fontes

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Fibromialgia e ressonância magnética: o que o seu exame revela — e o que ainda não mostra https://fabiobatistella.com.br/2026/07/13/fibromialgia-e-ressonancia-magnetica-o-que-o-seu-exame-revela-e-o-que-ainda-nao-mostra/ https://fabiobatistella.com.br/2026/07/13/fibromialgia-e-ressonancia-magnetica-o-que-o-seu-exame-revela-e-o-que-ainda-nao-mostra/#respond Mon, 13 Jul 2026 17:38:36 +0000 https://fabiobatistella.com.br/?p=530 “Minha ressonância veio normal. O médico disse que não tem nada errado.” Essa é uma das frases que pacientes com fibromialgia mais ouvem — e uma das mais frustrantes. Mas a ciência está chegando para dar uma resposta diferente: a dor da fibromialgia é real, e a ressonância magnética funcional está começando a mostrá-la.

Por que a ressonância convencional “vem normal”

A ressonância magnética convencional — aquela feita para ver músculos, nervos, discos e articulações — não foi desenvolvida para detectar fibromialgia. E com razão: a fibromialgia não danifica tecidos. Não há inflamação visível nos músculos, não há ruptura de ligamentos, não há lesão estrutural. O problema não está nos tecidos — está na forma como o sistema nervoso central processa os sinais de dor.

É como se o volume do sistema de alarme do corpo estivesse regulado muito alto: um estímulo leve é interpretado como dor intensa. Isso se chama sensibilização central. Por muito tempo, esse fenômeno era impossível de enxergar em qualquer imagem.

O que a ressonância magnética funcional revela

A ressonância magnética funcional (fMRI, na sigla em inglês) é uma tecnologia diferente. Em vez de mostrar estruturas anatômicas, ela registra a atividade do cérebro em tempo real — observando quais regiões estão ativas e como elas se comunicam entre si.

Em maio de 2026, pesquisadores da Manchester Metropolitan University, no Reino Unido, apresentaram no ISMRM — o maior congresso mundial de ressonância magnética — um estudo que usou fMRI durante um exercício leve em pacientes com fibromialgia. O resultado foi revelador: durante o esforço físico, o cérebro dos pacientes mostrou hiperconectividade entre as redes sensoriomotoras e de percepção de dor, como se recrutasse muito mais regiões cerebrais do que o necessário para uma atividade simples.

Mais significativo ainda: enquanto pessoas saudáveis voltaram ao padrão cerebral normal logo após o exercício, os pacientes com fibromialgia não conseguiram fazer essa “volta ao normal”. O cérebro continuou ativado e desorganizado — um sinal claro de que o sistema de processamento de dor não funciona da mesma forma.

Outras alterações encontradas no cérebro

Esse não é um achado isolado. Outras pesquisas com neuroimagem têm identificado mudanças consistentes em pacientes com fibromialgia: redução de volume em áreas como o córtex cingulado anterior e o córtex pré-frontal (regiões envolvidas no controle e modulação da dor), além de padrões alterados de conectividade entre redes cerebrais. Um estudo publicado em 2026 no Journal of Neuroimaging identificou integração perturbada da rede sensoriomotora mesmo em repouso — sem nenhuma atividade física.

Esses achados reforçam algo fundamental: a fibromialgia não é “coisa da cabeça” no sentido pejorativo. Mas, de certa forma, ela é literalmente uma questão do cérebro — um cérebro que processa a dor de forma amplificada e diferente do habitual.

Por que a fMRI ainda não é pedida no diagnóstico

Com tanta evidência, por que o médico não solicita uma fMRI para confirmar a fibromialgia? Por enquanto, essa tecnologia ainda é uma ferramenta de pesquisa. Os aparelhos são caros, a análise exige treinamento especializado e os padrões de resultado ainda não foram validados para uso clínico rotineiro. O diagnóstico da fibromialgia continua sendo essencialmente clínico: baseado nos sintomas, no histórico do paciente e em um exame físico cuidadoso.

A perspectiva, porém, é animadora: a tendência dos próximos anos é que esses biomarcadores cerebrais comecem a entrar na prática clínica, tornando o diagnóstico mais objetivo e reduzindo o tempo de peregrinação que tantos pacientes enfrentam.

Sua dor tem explicação — e a ciência está chegando lá

A mensagem mais importante desta nova ciência é de validação. A dor da fibromialgia não é imaginação, não é fraqueza e não é exagero. Ela tem assinatura no cérebro — e a tecnologia está cada vez mais próxima de mostrar isso com clareza. Se o seu exame convencional veio normal, isso não significa que você está bem. Significa que o problema está em um lugar que os exames tradicionais ainda não alcançam plenamente.


Este texto é informativo e não substitui a consulta com um reumatologista. Se você tem dúvidas sobre seu tratamento, procure seu médico.

Fontes

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Se mover faz bem: o que as novas diretrizes europeias ensinam sobre exercício para quem tem artrite ou artrose https://fabiobatistella.com.br/2026/07/09/se-mover-faz-bem-o-que-as-novas-diretrizes-europeias-ensinam-sobre-exercicio-para-quem-tem-artrite-ou-artrose/ https://fabiobatistella.com.br/2026/07/09/se-mover-faz-bem-o-que-as-novas-diretrizes-europeias-ensinam-sobre-exercicio-para-quem-tem-artrite-ou-artrose/#respond Thu, 09 Jul 2026 12:14:37 +0000 https://fabiobatistella.com.br/?p=513 Muita gente que vive com artrite ou artrose já ouviu aquela voz na cabeça: “Será que é seguro fazer exercício? E se piorar a dor?” A dúvida é compreensível — afinal, movimentar articulações inflamadas pode parecer arriscado. Mas uma atualização importante publicada em 2026 mostra que o caminho é exatamente o oposto do repouso absoluto.

O que diz a ciência europeia?

A EULAR — a principal associação europeia de reumatologia — publicou em abril de 2026 uma atualização das suas recomendações sobre atividade física para pessoas com artrite inflamatória (como artrite reumatoide, espondiloartrite e artrite psoriática) e artrose. O documento, publicado nos Annals of the Rheumatic Diseases, reuniu um grupo multidisciplinar de especialistas após revisão sistemática das evidências mais recentes.

A conclusão é clara: o movimento é parte essencial do tratamento, não um extra opcional.

“Não precisa ser maratona”

Uma das mudanças mais importantes desta atualização é que qualquer movimento conta. As novas recomendações abandonaram a ideia de que o exercício só vale se for feito em blocos contínuos de pelo menos 10 minutos. Agora, pequenas pausas para se mover ao longo do dia — uma caminhada de 3 minutos, subir uma escada, alongar os ombros — já trazem benefícios reais.

Além disso, todos os tipos de exercício são considerados seguros e recomendados:

  • Exercício aeróbico (caminhada, natação, bicicleta)
  • Exercícios de força muscular (musculação leve, pilates)
  • Flexibilidade e equilíbrio (yoga, alongamentos)

E sim — isso vale mesmo durante períodos de maior inflamação, sempre com as adaptações necessárias e orientação do seu médico ou fisioterapeuta.

Ficar sentado também é um problema

Outro ponto que ganhou destaque na atualização é o comportamento sedentário. Não basta fazer uma hora de caminhada se o resto do dia for passado sentado ou deitado. A EULAR agora orienta que os médicos conversem sobre isso explicitamente com os pacientes: fazer pausas no tempo sentado, movimentar-se entre atividades e reduzir o tempo total parado ao longo do dia são metas tão importantes quanto o exercício em si.

Tecnologia como aliada

As novas recomendações também reconhecem o papel dos aplicativos de saúde, relógios inteligentes e plataformas de telereabilitação como ferramentas válidas para ajudar pacientes a se manterem ativos. Se você usa um smartwatch para contar passos ou um aplicativo de treino adaptado, saiba que a ciência apoia esse caminho.

O que isso significa para você

Se você tem artrite ou artrose, a mensagem principal é: conversar com seu reumatologista sobre atividade física deve ser parte da consulta. O exercício adequado — sempre orientado às suas condições específicas — pode melhorar a função das articulações, reduzir a dor e aumentar a qualidade de vida.

O movimento, feito com cuidado e acompanhamento profissional, é um dos melhores aliados que temos.


Este texto é informativo e não substitui a consulta com um reumatologista. Se você tem dúvidas sobre seu tratamento, procure seu médico.

Fontes

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Espondiloartrite axial: o que mudou nas novas diretrizes de 2026? https://fabiobatistella.com.br/2026/07/07/espondiloartrite-axial-o-que-mudou-nas-novas-diretrizes-de-2026/ https://fabiobatistella.com.br/2026/07/07/espondiloartrite-axial-o-que-mudou-nas-novas-diretrizes-de-2026/#respond Tue, 07 Jul 2026 13:48:07 +0000 https://fabiobatistella.com.br/?p=506 O Colégio Americano de Reumatologia publicou, em junho de 2026, novas diretrizes para o tratamento da espondiloartrite axial (espondilite anquilosante). As novidades incluem, pela primeira vez, orientações específicas para crianças e adolescentes.

A dor lombar que não passa, a rigidez de manhã que demora horas para ceder, aquela sensação de que o corpo está “emperrado”… Para milhões de pessoas no mundo, esses sintomas têm nome: espondiloartrite axial, conhecida popularmente como espondilite anquilosante. Em junho de 2026, o Colégio Americano de Reumatologia (ACR) atualizou suas diretrizes de tratamento para essa doença — e as novidades são importantes para pacientes e famílias.

O que é a espondiloartrite axial?

A espondiloartrite axial (ou axSpA) é uma doença inflamatória crônica que afeta principalmente a coluna vertebral e as articulações da bacia (articulações sacroilíacas). Ela costuma surgir antes dos 40 anos e pode vir acompanhada de outros problemas, como inflamação nos olhos (uveíte), psoríase ou doenças intestinais inflamatórias.

Um dos maiores desafios é o diagnóstico tardio: a dor lombar é muito comum, e nem toda dor nas costas é espondilite. O diferencial costuma ser uma dor que piora com o repouso e melhora com o movimento — especialmente em pessoas jovens.

O que mudou com as novas diretrizes?

As recomendações do ACR de 2026 trazem atualizações práticas que guiam médicos e pacientes nas decisões de tratamento:

  • Os anti-inflamatórios comuns (AINEs) continuam sendo o primeiro passo para a maioria dos pacientes.
  • Quando os AINEs não são suficientes, entram em cena os medicamentos biológicos — como os inibidores de TNF e os inibidores de IL-17 — ou os chamados inibidores de JAK. Todos são opções recomendadas e seguras para essa doença.
  • A escolha entre eles depende do perfil de cada paciente: quem tem uveíte se beneficia mais dos inibidores de TNF; quem tem psoríase costuma se dar melhor com os inibidores de IL-17.
  • Quando a doença está bem controlada por um período sustentado, reduzir gradualmente a dose do tratamento pode ser considerado — mas interromper abruptamente não é recomendado, pois aumenta o risco de recaída.

Uma novidade especial: orientações para crianças e adolescentes

Pela primeira vez, o ACR publicou uma diretriz dedicada exclusivamente a crianças e adolescentes com espondiloartrite axial juvenil. Esse é um avanço enorme: jovens têm necessidades diferentes dos adultos, tanto no diagnóstico — preferindo-se a ressonância magnética — quanto no tratamento. Identificar e tratar a doença cedo pode mudar profundamente a trajetória de vida desses pacientes.

O que isso significa para você?

Essas diretrizes reforçam um princípio fundamental: o tratamento da espondiloartrite axial é personalizado. As decisões são tomadas em conjunto entre você e seu reumatologista, levando em conta seus sintomas, exames, estilo de vida e preferências. Se você tem dor lombar inflamatória de longa data — especialmente se começou antes dos 40 anos e melhora com o movimento — converse com um especialista.

A reumatologia avança, e com ela, as chances de uma vida com menos dor e mais movimento. Essas novas diretrizes chegam para orientar médicos e pacientes na direção certa.


Este texto é informativo e não substitui a consulta com um reumatologista. Se você tem dúvidas sobre seu tratamento, procure seu médico.

Fontes

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Polimialgia reumática: estudo publicado no NEJM aponta novo caminho para reduzir corticoides https://fabiobatistella.com.br/2026/07/03/polimialgia-reumatica-estudo-publicado-no-nejm-aponta-novo-caminho-para-reduzir-corticoides/ https://fabiobatistella.com.br/2026/07/03/polimialgia-reumatica-estudo-publicado-no-nejm-aponta-novo-caminho-para-reduzir-corticoides/#respond Fri, 03 Jul 2026 14:29:44 +0000 https://fabiobatistella.com.br/?p=503 Você já ouviu falar da polimialgia reumática? Essa doença, que afeta principalmente pessoas acima dos 50 anos, causa dor e rigidez intensa nos ombros, pescoço e quadris — aquela sensação de acordar com o corpo “travado” que pode durar horas. A notícia que chegou do Congresso da EULAR em junho de 2026, em Londres, traz uma perspectiva nova e esperançosa para quem convive com essa condição.

O que é a polimialgia reumática?

A polimialgia reumática é uma inflamação que compromete músculos e tecidos ao redor das articulações, especialmente nos ombros, pescoço e quadris. O nome é complicado, mas o impacto é bem concreto: dificuldade para se mover ao acordar, dor ao levantar os braços, cansaço persistente. A doença acomete principalmente mulheres acima dos 50 anos, e os sintomas costumam surgir de forma relativamente rápida.

O tratamento padrão há décadas é o corticoide (como a prednisona), que alivia os sintomas com rapidez. O problema é que muitos pacientes precisam usá-lo por meses ou até anos — e o uso prolongado traz efeitos colaterais sérios, como aumento da pressão arterial, diabetes, osteoporose e maior suscetibilidade a infecções.

O estudo REPLENISH: o que os cientistas descobriram?

Em junho de 2026, os resultados do estudo REPLENISH foram apresentados no Congresso da EULAR (a Liga Europeia Contra o Reumatismo) e publicados no New England Journal of Medicine — um dos periódicos médicos mais respeitados do mundo. Trata-se do maior estudo de fase 3 já realizado com um medicamento biológico para a polimialgia reumática.

O estudo testou o secukinumabe — um medicamento biológico que bloqueia uma proteína inflamatória chamada IL-17, já aprovado para outras doenças como artrite psoriática e espondilite — em combinação com uma dose reduzida de corticoide. Os resultados foram significativos:

  • Cerca de 41% dos pacientes que usaram secukinumabe alcançaram remissão sustentada ao final de um ano — ou seja, mantiveram a doença controlada por pelo menos 28 semanas;
  • No grupo que usou apenas corticoide, a remissão sustentada ocorreu em aproximadamente 20% dos pacientes;
  • O grupo que usou o biológico também precisou de uma dose acumulada menor de corticoide ao longo do tratamento.

Em linguagem simples: o medicamento quase dobrou a chance de entrar em remissão e ajudou os pacientes a usarem menos corticoide.

O que isso muda na prática?

Por enquanto, o secukinumabe para polimialgia reumática ainda não está aprovado pelos órgãos regulatórios. Nos Estados Unidos (FDA), na Europa (EMA) e no Japão, os pedidos de aprovação já foram enviados após o estudo, e a análise está em andamento. No Brasil, o processo deverá seguir na sequência.

O significado desse resultado é histórico: pela primeira vez, um medicamento biológico demonstrou, em um grande estudo internacional bem conduzido, que pode ajudar a controlar a polimialgia com mais eficácia e com menos dependência do corticoide. Para pacientes que têm dificuldade em reduzir a prednisona sem que os sintomas voltem, isso representa uma esperança concreta.

O que fazer se você tem polimialgia reumática?

O acompanhamento pelo reumatologista é essencial. Se você está em uso de corticoide e sente dificuldade em reduzi-lo (os sintomas voltam toda vez que tenta diminuir a dose), converse com seu médico — essa informação é fundamental para as decisões do seu tratamento.

Novas opções estão chegando. A ciência avança, e estar bem informado é o primeiro passo para participar ativamente do cuidado com a sua saúde.


Este texto é informativo e não substitui a consulta com um reumatologista. Se você tem dúvidas sobre seu tratamento, procure seu médico.

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Artrite psoriática e obesidade: nova combinação de medicamentos promete melhor controle da doença https://fabiobatistella.com.br/2026/06/30/artrite-psoriatica-e-obesidade-nova-combinacao-de-medicamentos-promete-melhor-controle-da-doenca/ https://fabiobatistella.com.br/2026/06/30/artrite-psoriatica-e-obesidade-nova-combinacao-de-medicamentos-promete-melhor-controle-da-doenca/#respond Tue, 30 Jun 2026 13:16:33 +0000 https://fabiobatistella.com.br/?p=497 Se você tem artrite psoriática e está acima do peso, uma notícia do maior congresso de reumatologia do mundo pode te interessar. Pesquisadores apresentaram no EULAR 2026 (Congresso Europeu de Reumatologia), realizado em junho em Londres, um estudo que combinou dois tratamentos e obteve resultados surpreendentes — e mais rápidos do que se esperava.

O que é artrite psoriática?

A artrite psoriática é uma doença inflamatória das articulações que afeta pessoas com psoríase — aquela condição que causa manchas avermelhadas na pele. As articulações ficam doloridas, inchadas e rígidas, prejudicando bastante a qualidade de vida. O que muitas pessoas não sabem é que o sobrepeso e a obesidade pioram a inflamação, tornando o controle da doença mais difícil e os tratamentos menos eficazes.

O estudo TOGETHER-PsA: o que foi testado?

O ensaio clínico TOGETHER-PsA reuniu adultos com artrite psoriática ativa que também tinham sobrepeso ou obesidade. Os participantes foram divididos em dois grupos: um recebeu apenas ixekizumabe — um medicamento biológico anti-inflamatório já consolidado para a artrite psoriática — e o outro recebeu a combinação de ixekizumabe com tirzepatida. A tirzepatida pertence à mesma classe dos chamados análogos do GLP-1, medicamentos que ficaram famosos pelo controle de diabetes e peso corporal.

Os resultados foram animadores. Na semana 36, 31,7% dos pacientes que usaram a combinação atingiram tanto uma melhora significativa nas articulações quanto uma redução de pelo menos 10% do peso corporal — contra apenas 0,8% no grupo que usou só o biológico. A melhora nas articulações, medida pela escala ACR50, também foi maior e mais rápida no grupo que recebeu a combinação.

A melhora aconteceu antes da perda de peso

O dado mais intrigante do estudo foi que a melhora nas articulações já aparecia na semana 4 — quando os pacientes ainda tinham perdido apenas cerca de 2,5% do peso corporal, uma quantidade pequena. Isso levantou uma hipótese importante: a tirzepatida talvez tenha um efeito anti-inflamatório direto sobre as articulações, que vai além do benefício que o emagrecimento em si já traz. Os pesquisadores estão investigando esse mecanismo com atenção.

O que isso significa para quem tem artrite psoriática?

Por enquanto, essa combinação ainda não está disponível como tratamento padrão na prática clínica. Mas os resultados abrem uma perspectiva muito promissora: tratar a inflamação das articulações e o sobrepeso ao mesmo tempo, de forma integrada. Para pacientes com artrite psoriática e obesidade, isso pode representar um avanço real no futuro.

O que já sabemos hoje é que cuidar do peso faz parte do tratamento da artrite psoriática. Alimentação equilibrada, atividade física regular e, quando indicado pelo médico, o uso de medicamentos para controle do peso podem ajudar a reduzir a inflamação e melhorar a resposta ao tratamento. Converse com seu reumatologista sobre as melhores opções para o seu caso.


Este texto é informativo e não substitui a consulta com um reumatologista. Se você tem dúvidas sobre seu tratamento, procure seu médico.

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Fibromialgia e sono: por que você se levanta cansado mesmo dormindo a noite toda https://fabiobatistella.com.br/2026/06/25/fibromialgia-e-sono-por-que-voce-se-levanta-cansado-mesmo-dormindo-a-noite-toda/ https://fabiobatistella.com.br/2026/06/25/fibromialgia-e-sono-por-que-voce-se-levanta-cansado-mesmo-dormindo-a-noite-toda/#respond Thu, 25 Jun 2026 19:30:12 +0000 https://fabiobatistella.com.br/?p=493 Quem tem fibromialgia conhece bem essa sensação: acordar pela manhã e sentir que o corpo não descansou. Não importa quantas horas passou na cama — a exaustão está lá. Isso tem nome: sono não restaurador, e é um dos sintomas mais frequentes da fibromialgia, presente em cerca de 90% das pessoas com a doença.

Mas por que isso acontece — e o que pode ser feito? A ciência avançou bastante nesse tema, e uma revisão sistemática publicada em 2025 na revista Rheumatology (Oxford) ajuda a entender melhor o que realmente funciona para melhorar o sono na fibromialgia.

O sono na fibromialgia: mais do que insônia

Na fibromialgia, o problema do sono vai além da dificuldade de pegar no sono. Muitas pessoas dormem, mas as ondas cerebrais do sono profundo — aquelas que permitem a recuperação real do corpo — são interrompidas constantemente. O resultado é um sono leve, fragmentado, que não cumpre sua função reparadora.

Essa alteração no padrão do sono tem uma relação direta com a dor: a privação do sono profundo aumenta a sensibilidade à dor, e a dor dificulta o sono. É um ciclo que se alimenta — e que precisa ser tratado de forma ativa.

O que os estudos mostram que funciona?

A revisão de 2025, que analisou 47 estudos clínicos com mais de 11 mil pacientes, trouxe uma conclusão que pode surpreender: a abordagem não medicamentosa com melhores resultados para o sono na fibromialgia é a Terapia Cognitivo-Comportamental para Insônia (TCC-I). Trata-se de um conjunto de técnicas que trabalha crenças sobre o sono, hábitos noturnos e ansiedade relacionada ao descanso — e que mostrou benefício significativo mesmo em pessoas com dor crônica.

Entre os medicamentos, pregabalina mostrou melhora moderada na qualidade do sono. Já duloxetina e amitriptilina — muito usados no Brasil para fibromialgia — não apresentaram benefício estatisticamente significativo especificamente para o sono nessa revisão, embora continuem tendo papel no controle da dor e de outros sintomas.

Isso não significa que esses medicamentos devam ser abandonados — significa que o sono precisa de uma abordagem própria, muitas vezes adicional ao tratamento já em curso.

O que você pode fazer hoje?

Algumas medidas simples de higiene do sono fazem diferença real para quem tem fibromialgia:

  • Manter horários regulares para dormir e acordar, inclusive nos fins de semana.
  • Evitar telas (celular, TV) pelo menos uma hora antes de dormir.
  • Praticar atividade física regular — de preferência durante o dia, não próximo à hora de dormir.
  • Conversar com seu reumatologista sobre técnicas específicas para o sono, que podem ser indicadas junto ao tratamento da fibromialgia.

Cuide do sono, cuide da dor

Tratar o sono na fibromialgia não é um detalhe — é parte essencial do controle da doença. Quando o descanso melhora, a dor tende a diminuir, o humor se estabiliza e a qualidade de vida dá um salto. Se o cansaço ao acordar faz parte da sua rotina, leve esse sintoma ao seu reumatologista: ele merece atenção e tratamento adequado.


Este texto é informativo e não substitui a consulta com um reumatologista. Se você tem dúvidas sobre seu tratamento, procure seu médico.

Fontes

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Fibromialgia e trabalho: por que ter uma função faz bem? https://fabiobatistella.com.br/2026/06/22/fibromialgia-e-trabalho-por-que-ter-uma-funcao-faz-bem/ https://fabiobatistella.com.br/2026/06/22/fibromialgia-e-trabalho-por-que-ter-uma-funcao-faz-bem/#respond Mon, 22 Jun 2026 20:53:32 +0000 https://fabiobatistella.com.br/?p=483 Uma das perguntas que mais ouço no consultório de pacientes com fibromialgia é: “Doutor, ainda devo tentar trabalhar?” É uma pergunta carregada — de dor, de culpa, de medo de não dar conta. E a resposta, na maioria dos casos, é sim. Não porque o trabalho seja fácil com fibromialgia, mas porque ter uma função — um lugar, um propósito, uma rotina — faz parte do tratamento.

O trabalho vai muito além do salário

Quando falamos em trabalho, tendemos a pensar apenas na renda. Mas a função que exercemos carrega algo muito mais profundo: identidade, pertencimento, estrutura de tempo, contato social e sensação de contribuição. Para quem tem fibromialgia — uma condição que frequentemente isola e retira a pessoa do fluxo da vida — esses elementos têm valor terapêutico real.

Estudos mostram que o afastamento completo do trabalho está associado a piora da dor, aumento da depressão e ansiedade, e menor qualidade de vida em pacientes com dor crônica. Isso não significa ignorar os limites da doença — significa reconhecer que o isolamento não é a solução.

O desafio real: trabalhar com dor, fadiga e fibro fog

Dito isso, seria desonesto ignorar o quanto a fibromialgia pode dificultar o trabalho. A fadiga que não melhora com o descanso, o fibro fog — aquela névoa mental que atrapalha a concentração e a memória — e as crises de dor imprevisíveis fazem com que muitos pacientes se sintam incapazes de cumprir uma jornada convencional.

A questão não é negar essa realidade, mas encontrar formas de manter o vínculo com o trabalho de maneira adaptada. Horário flexível, trabalho remoto, redução temporária de carga, pausas programadas — essas adaptações permitem que muitos pacientes continuem ativos sem forçar o limite do corpo.

A nova lei como aliada para quem quer continuar trabalhando

Em 2025, o Brasil deu um passo importante nessa direção. A Lei 15.176/2025, em vigor desde janeiro de 2026, reconhece a fibromialgia como deficiência mediante avaliação biopsicossocial. Isso não significa que todos os pacientes serão enquadrados como PcD automaticamente — o reconhecimento depende do impacto real da doença na vida de cada pessoa.

Mas para quem for reconhecido, a lei abre caminhos concretos para permanecer no mercado de trabalho com dignidade: obriga as empresas a oferecer adaptações ergonômicas, abre espaço para flexibilização de jornada e protege o trabalhador contra demissão discriminatória. Em vez de empurrar o paciente para fora do mercado, a lei cria as condições para que ele continue dentro — com os apoios que precisa.

Se você tem fibromialgia e está se perguntando se ainda vale tentar trabalhar, minha resposta é: vale — mas com inteligência, com os apoios certos e com um plano de tratamento que leve em conta suas limitações reais. Converse com seu reumatologista sobre como estruturar esse equilíbrio. Ter uma função que te faça sentir parte do mundo é, em si, parte do cuidado.


Este texto é informativo e não substitui a consulta com um reumatologista. Se você tem dúvidas sobre seu tratamento, procure seu médico.

Fontes

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Esclerose Sistêmica: o que muda com as novas diretrizes europeias de tratamento https://fabiobatistella.com.br/2026/06/18/esclerose-sistemica-o-que-muda-com-as-novas-diretrizes-europeias-de-tratamento/ https://fabiobatistella.com.br/2026/06/18/esclerose-sistemica-o-que-muda-com-as-novas-diretrizes-europeias-de-tratamento/#respond Thu, 18 Jun 2026 16:46:02 +0000 https://fabiobatistella.com.br/?p=480 Você já ouviu falar em esclerose sistêmica ou esclerodermia? Pode ser que não, porque essa é uma doença pouco conhecida pelo público geral — mas para quem a tem, os impactos são sentidos todos os dias. A boa notícia: especialistas europeus atualizaram as diretrizes de tratamento, e isso significa melhores caminhos para quem vive com essa condição.

O que é a esclerodermia?

O nome vem do grego: skleros (duro) e derma (pele). Esclerodermia é uma doença autoimune que provoca o endurecimento progressivo da pele e, em alguns casos, dos órgãos internos — como pulmões, rins e coração. Ela afeta principalmente mulheres entre 30 e 50 anos, mas pode surgir em qualquer pessoa.

A forma mais conhecida é a esclerose sistêmica, que pode se manifestar de duas maneiras: na forma limitada, que afeta áreas como mãos e pés; e na forma difusa, que compromete o tronco e órgãos internos de forma mais precoce e intensa. Existe ainda a forma localizada, restrita à pele, sem comprometer órgãos.

Qual é o primeiro sinal?

Em mais de 90% dos pacientes, o primeiro sintoma é o fenômeno de Raynaud — uma mudança de coloração dos dedos das mãos ao frio ou ao estresse. Os dedos ficam brancos, depois azulados, depois avermelhados. Parece simples, mas pode ser o primeiro aviso de que algo mais está acontecendo. Se você percebe esse padrão com frequência, vale conversar com um reumatologista.

O que mais pode ser afetado?

Além da pele, a esclerose sistêmica pode comprometer:

  • Os pulmões — causando falta de ar e tosse seca
  • O sistema digestivo — refluxo, dificuldade para engolir, sensação de estômago cheio
  • Os rins — aumento repentino da pressão arterial
  • O coração — palpitações e alterações do ritmo

Por isso, o acompanhamento precisa ser feito por uma equipe multidisciplinar — não basta apenas tratar a pele.

O que mudou com as novas diretrizes europeias?

Em outubro de 2024, o EULAR (Liga Europeia contra o Reumatismo) publicou suas recomendações atualizadas para o tratamento da esclerose sistêmica. Foram 22 recomendações revisadas, cobrindo oito áreas diferentes da doença — um avanço significativo em relação à versão anterior, de 2017, que trazia 16 recomendações.

As novidades incluem terapias biológicas e sintéticas que demonstraram eficácia em grupos específicos de pacientes, especialmente para tratar o endurecimento da pele e a doença pulmonar associada. O documento reforça que não existe uma fórmula única para todos: o tratamento precisa ser personalizado, considerando o tipo da doença, o tempo de diagnóstico, outras condições de saúde e as preferências de cada pessoa.

Tem cura?

Ainda não. Mas com o avanço das pesquisas e das opções de tratamento, é cada vez mais possível controlar os sintomas, proteger os órgãos e manter uma boa qualidade de vida. O diagnóstico precoce continua sendo a chave — e é por isso que reconhecer os primeiros sinais, como o fenômeno de Raynaud, pode fazer uma diferença enorme no longo prazo.


Este texto é informativo e não substitui a consulta com um reumatologista. Se você tem dúvidas sobre seu tratamento, procure seu médico.

Fontes

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