Uma dor de cabeça nova depois dos 50 anos, especialmente na lateral (têmpora), pode parecer banal — mas em algumas situações é o aviso de uma doença reumatológica importante chamada arterite de células gigantes, também conhecida como arterite temporal. Trata-se de uma inflamação das artérias que irrigam a cabeça, e o diagnóstico precoce faz toda a diferença: sem tratamento rápido, ela pode causar perda permanente da visão.
A boa notícia é que, em 2025 e 2026, o tratamento dessa doença ganhou um reforço importante. Pela primeira vez, um medicamento oral de uma nova classe — os chamados inibidores da JAK — foi aprovado especificamente para a arterite de células gigantes pela FDA, a agência regulatória dos Estados Unidos. Isso abre caminho para opções além do corticoide e dos remédios injetáveis que vínhamos usando há anos.
Por que essa novidade importa?
Durante décadas, o pilar do tratamento foi a prednisona em doses altas. Ela funciona — controla a inflamação rapidamente — mas o uso prolongado tem custos: ganho de peso, pressão alta, diabetes, perda de massa óssea (osteoporose), catarata e maior risco de infecções. Reduzir o corticoide com segurança é um dos maiores desafios para pacientes e reumatologistas.
O estudo SELECT-GCA, com 428 pacientes acima de 50 anos com a doença recém-diagnosticada ou em recaída, avaliou justamente isso. Quem recebeu o novo remédio oral, combinado com a redução gradual do corticoide, manteve a doença em remissão por um ano em quase 47% dos casos — contra 29% no grupo que recebeu apenas o corticoide. Em outras palavras: foi possível dispensar o corticoide mais cedo e com menor risco de recaída.
Quando suspeitar de arterite de células gigantes?
A doença acomete principalmente pessoas acima dos 50 anos. Procure um reumatologista quando aparecerem sintomas como:
- dor de cabeça nova ou diferente, geralmente na lateral (têmpora);
- sensibilidade no couro cabeludo (dor ao pentear o cabelo ou apoiar a cabeça no travesseiro);
- dor na mandíbula ao mastigar alimentos mais firmes;
- alterações visuais — visão embaçada, vista dupla ou perda parcial da visão;
- cansaço importante, febre baixa ou perda de peso sem causa aparente.
Em pacientes que já têm polimialgia reumática (uma doença “prima” da arterite, que causa dor e rigidez nos ombros e quadris), o risco de desenvolver arterite de células gigantes é maior — e qualquer um desses sintomas merece avaliação rápida.
O que isso significa para você
Não é hora de mudar nada por conta própria. O novo remédio ainda está sendo incorporado às diretrizes internacionais e à prática brasileira, e a indicação depende do perfil de cada paciente. O recado é outro: o cardápio de tratamentos para a arterite de células gigantes está crescendo, com opções que ajudam a reduzir o corticoide mais cedo, controlam melhor a inflamação e protegem a visão.
Se você ou alguém da família apresenta uma dor de cabeça nova depois dos 50 anos, especialmente com dor ao mastigar ou qualquer alteração visual, procure rapidamente um reumatologista. Quanto mais cedo o tratamento começa, melhor o desfecho.
Este texto é informativo e não substitui a consulta com um reumatologista. Se você tem dúvidas sobre seu tratamento, procure seu médico.
Fontes
- Sociedade Brasileira de Reumatologia — Polimialgia reumática e arterite de células gigantes.
- American College of Rheumatology — Vasculitis Guidelines.
- EULAR — Recommendations on management.
- Healio Rheumatology — FDA approves upadacitinib for GCA (abril 2025).
- The Rheumatologist — FDA Approves Upadacitinib for GCA.


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