Ozempic e os joelhos: o que a ciência vem mostrando sobre os GLP-1 na artrose

Você provavelmente já ouviu falar do Ozempic, do Mounjaro ou da Wegovy — medicamentos da família dos chamados GLP-1, conhecidos pelo controle do diabetes e pela perda de peso. O que poucas pessoas sabem é que esses remédios entraram no radar da reumatologia. Estudos recentes apontam que eles podem ajudar pacientes com artrose de joelho, uma das doenças mais comuns nos consultórios de quem cuida das articulações.

Por que isso interessa a quem tem artrose

A artrose do joelho — também chamada de osteoartrite — é uma das principais causas de dor crônica e perda de mobilidade no Brasil e no mundo. O excesso de peso é um dos maiores fatores de risco, porque sobrecarrega a articulação e também alimenta um processo inflamatório de baixa intensidade que vai desgastando a cartilagem. Por isso, perder peso sempre fez parte do tratamento. A novidade é que os GLP-1 parecem oferecer um caminho mais consistente para esse emagrecimento e, talvez, algo a mais.

O que dizem os estudos recentes

Em um grande estudo internacional chamado STEP 9, publicado no New England Journal of Medicine, pacientes obesos com artrose moderada de joelho receberam semaglutida (a substância do Ozempic e da Wegovy) por 68 semanas. Eles perderam, em média, cerca de 14% do peso corporal e relataram redução significativa da dor, além de melhora da função física, em comparação com quem recebeu placebo.

Em 2026, um trabalho publicado na revista Cell Metabolism foi além: em modelos experimentais, a semaglutida mostrou um efeito direto de proteção da cartilagem, independente da perda de peso. Em outras palavras, parte do benefício pode vir de um mecanismo próprio do remédio, agindo na inflamação e no metabolismo das células da cartilagem. É uma pista promissora, ainda em investigação.

O que isso muda na prática (e o que ainda não muda)

É importante deixar claro: nenhuma sociedade de reumatologia recomenda hoje o uso dos GLP-1 como tratamento específico da artrose. Eles ainda são, oficialmente, medicamentos para diabetes e obesidade. O que vem mudando é a percepção: para quem convive com artrose de joelho e tem sobrepeso ou obesidade, controlar o peso com apoio adequado pode aliviar bastante a dor — e os GLP-1 são uma ferramenta a mais, quando indicados pelo médico.

Esses medicamentos não substituem fisioterapia, fortalecimento muscular, atividade física orientada ou, em alguns casos, o tratamento medicamentoso e a infiltração. E têm efeitos colaterais (principalmente intestinais) que precisam ser acompanhados. A decisão deve ser individual, conversada com o reumatologista e, quando necessário, com o endocrinologista.

Em resumo

A boa notícia é que a ciência está olhando para a artrose com olhos novos. Já passou da hora de tratar a doença como “coisa da idade”. Hoje sabemos que peso, inflamação e metabolismo conversam entre si dentro da articulação — e remédios que mexem nesse conjunto, como os GLP-1, podem se tornar aliados importantes nos próximos anos. Vale acompanhar.


Este texto é informativo e não substitui a consulta com um reumatologista. Se você tem dúvidas sobre seu tratamento, procure seu médico.

Fontes



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2 responses to “Ozempic e os joelhos: o que a ciência vem mostrando sobre os GLP-1 na artrose”
  1. Avatar de Aline franco ricco
    Aline franco ricco

    Quem tem doença autoimune pode tomar monjuaro?

    1. Avatar de Dr. Fabio Batistella
      Dr. Fabio Batistella

      Cada situação deve ser avaliada individualmente. Mas não há uma contra-indicação absoluta para o uso do medicamento.
      Inclusive, a redução de peso pode auxiliar na redução dos sintomas de algumas doenças.